UMA INDUSTRIA CINEMATOGRAFICA EM ANGOLA, SERA' UM SONHO?????
A linguagem cinematográfica e audiovisual representa, na sociedade moderna, uma dimensão cultural transversal, quer por via da constituição e preservação patrimonial, como pela capacidade ímpar, que lhe é intrínseca, de projetar a imagem, o pensamento de um país, de uma cultura.
Esta manifestação artística, que marcando as democracias em todo mundo, tem desempenhado um papel fundamental na formação do pensamento contemporâneo. Pela atração e influência que ela exerce sobre as sociedades, deve ser reconhecida como um instrumentos imprescindível da expressão cultural de uma nação, encarada como vetor de emancipação da mentalidade das sociedades, utilizada como ferramenta fundamental no ensino, explorada como meio econômico imbuído de um potencial gerador de prosperidade e catalizador do surgimento de uma indústria de horizontes inesgotáveis.
Criado pelo Ministério da Cultura, em agosto de 2003, o IACAM (Instituto Angolano de Cinema, Audiovisual e Multimédia) assumiu a responsabilidade de reabilitar o setor cinematográfico e audiovisual da Nação Angolana, que, como resultado do seu passado pós-independência, e da vivência num clima de instabilidade, chegou a uma situação de quase inatividade.
Tendo herdado estruturas antigas, inoperantes, suportadas por tecnologias ultrapassadas, o IACAM definiu como principais prioridades de ação: a elaboração de políticas equilibradas no sentido da preservação do patrimônio fílmico, do estímulo à produção, da reanimação do circuito de exibição e distribuição, do apoio à formação, do empenho na divulgação, do envolvimento do setor privado com o estatuto de financiador, da elaboração de acordos multilaterais, e da pesquisa de financiamentos, para reanimar esta tão nobre expressão artístico-cultural angolana que guarda, desde 1975, a mais profunda memória da imagem da República de Angola.
Nos últimos anos, o IACAM tem conseguido desenvolver o seu plano, passo a passo, e tem proposto ao Ministério da Cultura de Angola tópicos para a assinatura de acordos de cooperação com Ministérios homólogos.
São precisamente os acordos multilaterais que nos fazem escrever este pequeno texto.O caso do Brasil é um caso particular que nos interessa aflorar.
Se nos debruçarmos sobre as estratégias de co-produção e colaboração definidas nos acordos firmados, em 2003-2004-2005, pelos dois titulares das pastas da Cultura de Angola e do Brasil, podemos perceber que a política que ambos os órgãos perseguem têm um fator comum: a aproximação dos setores do cinema e do audiovisual.
Propondo, o Ministério da Cultura Brasileiro, colaborações técnicas, programas de financiamento, proporcionando o envio de monitores (formadores), e possibilitando, através da ANCINE, a concretização de co-produções, que irão dar os seus frutos num futuro próximo, podemos (angolanos) sem receio afirmar que para lá do horizonte do Atlântico existe uma potência Audiovisual, cuja colaboração será um elo decisivo no desenvolvimento do nosso setor da sétima arte.
Não querendo limitar este texto a um pensamento egoísta, afirmamos, sem reservas, que todo o mundo de língua portuguesa pode e deve beneficiar desta política assumida por uma equipe que nos parece audaz, inovadora, sensata e, sem dúvida, culta, que defende valores históricos e morais que até agora não temos experimentado.
O continuar desta estratégia lançada por esta equipe deve, a nosso humilde ver, prosseguir se queremos ver a concretização dos projetos alinhados, se queremos assistir ao florescer das imagens, africanas, em movimento, que, entre outras línguas, se expressa em português."
Miguel Hurst, diretor geral do IACAM, Angola.
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